Acaba de ser proclamado o mais novo Estado do mundo! Conhecido pelo amor ao debate democrático, pela devoção à causa maior da liberdade e pela lisura de processos em que assenta o processo de tomada de decisões, o PSortugal, situado entre o Largo do Rato e São Bento, declarou-se independente de Portugal, sob o lema "EU QUERO, PS e MANDO!".
quinta-feira, 7 de Janeiro de 2010
Novo país
Acaba de ser proclamado o mais novo Estado do mundo! Conhecido pelo amor ao debate democrático, pela devoção à causa maior da liberdade e pela lisura de processos em que assenta o processo de tomada de decisões, o PSortugal, situado entre o Largo do Rato e São Bento, declarou-se independente de Portugal, sob o lema "EU QUERO, PS e MANDO!".
sábado, 25 de Abril de 2009
A estabilidade e a democracia
Concordo
sexta-feira, 24 de Abril de 2009
25 de Abril ou a revolução que ainda se precisa
sexta-feira, 30 de Janeiro de 2009
Em busca da democracia
Tento fugir à bruma informacional que está instalada em Portugal e que determina a centralidade da notícia em Sócrates no tempo dos pré-socráticos (ie, antes de 2005). Tenho aproveitado para reflectir sobre outros assuntos. Um desses assuntos é a reduzida dimensão do espectro político português
Passo a explicar. Tenho estado em profundo e sincero choque com toda e qualquer declaração em que um político peça a maioria absoluta, como se a mesma fosse a única tábua de salvação do país. Desde 1974 que se baniu da ordem jurídica portuguesa a ideologia do partido único, que tudo domina e que se instala em todos os poros da sociedade, asfixiando-a. Trocámo-lo, de acordo com a Constituição da República Portuguesa, por "um Estado de direito democrático, baseado na soberania popular, no pluralismo de expressão e organização política democráticas..." (art. 2.º da CRP). Parece-me que, pelo menos do ponto de vista formal, os pedidos de maioria absoluta constituam, pelo menos, um atentado sério à tal democracia pelo direito baseada no pluralismo que a Constituição refere.
As causas serão muitas - dentre as quais o facto de termos herdado a figura do Estado-PAI, personalizada no senhor Salazar, parece ser a mais fácil de apontar. É uma realidade que em Portugal a farta ignorância produz o aparecimento de líderes do tipo Cavaco ou Sócrates, que pouco acrescentam em termos de ideias, mas que pelo ar ou postura meio austera, meio arrogante, embelezada por uma áurea de autoridade sem par, criam hordas de adoração e de culto pessoal.
Todavia parece-me que apresentar a herança do Estado Novo como única culpada destes ataques de despotismo é redutor e não vai ao cerne da questão. O problema está ao nível da formatação do espaço político no pós-25 de Abril. Os partidos que governaram o país (excluindo o Partido Portas, que é do arco da velha e não do arco do poder) são dois partidos demasiado grandes para um país com uma população de 10 milhões de habitantes. Estes dois partidos, a coberto de um sistema eleitoral que beneficia as grandes formações partidárias em prejuízo das pequenas, garantem, quase sempre, mais de 70% dos votos (a partir de 1987), sendo que na maioria das vezes esse valor não resultou em governos com absoluta mas sim em governos que, em coligação (2002, PSD/PP) ou em maioria relativa (1985, 1995, 1999). É certo que os governos de maioria relativa/coligação ou governaram pouco tempo (1985, 1999, 2002) ou tiveram políticas expansionistas que não contribuíram para a reforma estrutural que o país necessita (1995, donde ressalta, única e simplesmente a reforma da segurança social como a grande reforma do primeiro governo de António Guterres). Mas o saldo dos governos de maioria absoluta, não é, nem de longe, muito mais famoso, no que a reformas estruturais diz respeito.
Ou seja, a culpa do estado a que chegámos, não é, do facto de termos sido governados por governos de maioria relativa/coligação ou por maiorias absolutas, pois os resultados da governação por partidos únicos ou com coligações de conveniência são, basicamente os mesmos. Concluo então que o problema está na forma como o espaço político está organizado em Portugal. Ora vejamos, o único factor de novidade nos últimos 15 anos foi o Bloco de Esquerda, que conseguiu transformar um aglomerado de Partidos de Esquerda sem representação parlamentar, numa representação parlamentar activa e em crescendo, constituindo-se como o único partido político urbano que existe em Portugal. Depois dele, nada mais...
O espaço mantém-se na mesma, com uma forma perene, sendo visível que tanto o PSD como o PS são vários partidos dentro de um partido, numa marcha de desconstrução (mais avançada no PSD, ameaçado seriamente de morte) que poderá significar a necessária reconfiguração da política nacional, podendo ser esse o momento que reconfigure a democracia portuguesa e a transforme em algo de existente. Essa reconfiguração deveria promover a representação parlamentar de 7/8 partidos, à custa dos actuais grandes grupos parlamentares, de forma a aumentar a democraticidade e o controlo democrático pela nossa câmara dos representantes.
Mas para tal, é necessário, entre outras coisas, que se aprenda a governar em coligação e que os atavismos que levam os partidos minoritários a recusar coligações governamentais e os partidos maioritários a temê-las sejam aproveitados. Até lá, e usurpando a formulação de Karl Deutsch, a política em Portugal será uma sistema de pilotagem do poder pelo poder.
